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:: Sábado, Agosto 29, 2009 ::
Antes de ir embora, ele me perguntou: mas afinal, o que você quer? Eu, que chego a ficar horas com fome por não decidir o que vou comer, só pude dizer, enquanto ainda conseguia conter as lágrimas: não sei.
Mas se ele quisesse realmente saber a verdade, eu teria respondido: posso querer também as coisas impossíveis?
Ele ficaria sem graça, e abaixaria a cabeça.
E eu ainda diria: por favor, não me acene com os seus sonhos.
Eu posso acreditar.
– E você e ele, como ficaram?
– Ficamos com saudade, só.
:: ISABELA RIBEIRO 1:39 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009 ::
Um tempo tão grande que parece que o ciclo da vida já está neste ponto novamente. Tempo logo que parece que ainda não terminou. Insiste em ser presente. Um tempo passado, presente e futuro... tempo de ser assim, eu pelo avesso, pele, pelo. Horizonte eu. Constante eu, muda falante sorriso calmante. Mão nos eixos baixos, movimentos desastrados conscientes, tamanho das pernas, braços, pés... baile.
:: ISABELA RIBEIRO 2:34 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Julho 17, 2008 ::
Fui invadida pelas palavras dos outros.
Preciso reencontrar a minha dificuldade, preciso me livrar de habilidades, não preciso mesmo de mim., estou livre de mim e terrivelmente desocupada porque não preciso de mais nada.
Daí quando eu me concentro me concentro sem querer e sem saber como consigo, mas consigo independente de mim.
Ou melhor: acontece.
Mas quando eu mesma quero me concentrar então me distraio e me perco no "querer" e passo somente a sentir o querer que vem a ser objetivo.
E a concentração não se faz.
A vontade tem que ser escondida, senão mata o nervo vital do que se quer.
:: ISABELA RIBEIRO 3:01 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Junho 26, 2008 ::
Menos ser o que é do que estar onde está,
assim faz quem mais não deseja ou sabe quem mais não pode ter,
por isso só quer o que já se era, enfim, tudo.
:: ISABELA RIBEIRO 7:41 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Agosto 31, 2007 ::
Carros sem som,
guarda-chuvas,
semáforos piscando,
vidro embaçado,
vento na cabeleira das árvores,
pássaros encolhidos,
cachorros na poça d'água,
telhados com musgo,
lama, luzes de mercúrio,
paredes descascadas,
o rio que emenda o céu em cinza.
A vida cala por instantes
e escorre no silêncio do tempo.
Sei das tuas mãos.
Sei das tuas mãos em algum lugar.
:: ISABELA RIBEIRO 1:05 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Agosto 08, 2007 ::
"Mas se eu gritasse um só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber: mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos."
Clarice Lispector.
:: ISABELA RIBEIRO 1:41 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 18, 2007 ::
Entusiasmo
A palavra vem de duas palavras gregas "en" e "theos".
Literalmente traduzida, significa "em Deus".
Falamos de tais pessoas como inspiradas.
O entusiasmo torna uma pessoa velha jovem, e sem ele o jovem se torna velho.
É a primavera oculta de energia inesgotável.
É aquela força bonita que nos conduz da mediocridade à excelência.
Ilumina com aspecto brilhante um rosto triste, até que os olhos cintilem.
É o carisma. É a fonte emocional prazerosa que borbulha.
E o melhor, é que tem pílulas com tudo isso!
"Os anos deixam rugas na pele, mas a perda de entusiasmo deixa rugas na alma."
:: ISABELA RIBEIRO 10:06 PM [+] ::
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:: Domingo, Abril 29, 2007 ::
O fogo e A água
apaga evapora
depende enche
sopra leva
arde refresca
vermelho azul
inferno céu
cinzas erosão
destrói constrói
constrói destrói
erupção enchente
=
Chuva de Verão
:: ISABELA RIBEIRO 5:31 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Abril 09, 2007 ::
Sentada
lá estava ela
perto da orquestra desafinada
bebendo cuba-libre com o canudinho
o perfume madeiras do oriente
se misturando
ao seu cheiro
gosto
tempero
doce-azedo.
E seu ar era de tanta urgência
que ela já nem mais olhava as caras
simpatizava automaticamente
com qualquer possibilidade de companhia.
:: ISABELA RIBEIRO 11:19 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Março 08, 2007 ::
Motivo da minha insônia.
Vivo perdida no céu.
Contando as estrelas, esperando um sinal.
Aqueles pontos que me fascinam são os mesmos que me deixam horrorizada.
Hipnotizada, olhando o céu...
Hipnotizada, olhando o céu...
O céu de tinta e plástico.
:: ISABELA RIBEIRO 11:56 PM [+] ::
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:: Domingo, Outubro 01, 2006 ::
A manhã do sonho
A manha do sonho tinha uma cor única, de foto envelhecida, amarelada.
O sofá era vermelho, e os cigarros estavam pra acabar.
As latas de cerveja estavam por todo lado, e o sono não vinha.
Os filmes bons não paravam de passar, um atrás do outro.
Os cigarros acabaram.
A larica chegou.
O relógio ainda dormia.
A manhã do sonho tinha uma cor única, de foto envelhecida, amarelada.
O sofá era vermelho, e os dentes brilhantes.
A vontade era tão grande, e a padaria já ia abrir.
Sonho de doce de leite, dois reais na padaria, e o cigarro, em qualquer esquina...
A manhã do sonho tem uma cor única, de foto envelhecida, amarelada...
O sofá é vermelho, agora ensangüentado por um sonho despedaçado.
:: ISABELA RIBEIRO 8:46 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Agosto 23, 2006 ::
A grande verdade é que o fim nunca vai chegar.
Apenas os recomeços e transformações.
O verdadeiro espírito da união acontece quando compartilhamos tudo que temos de melhor.
Compartilhar = oi, não sei resolver meus problemas pessoais, quer resolver pra mim? Quer ser feliz por mim?
Ou será que você prefere não viver todas as emoções que os poetas apenas fazem idéia... ?
:: ISABELA RIBEIRO 4:53 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Março 09, 2006 ::
Mulher que lê, escute. Se não for capaz de se segurar com uma mão, nem tente com duas. Pois eu mesmo tenho apenas estas duas que mostro e espalmo ao seu corpo nu e que podem também segurá-la. Mas se não for capaz disso, com as duas mãos, nem tente.
:: ISABELA RIBEIRO 1:25 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Novembro 10, 2005 ::
Plenitude não me rende bons textos...
:: ISABELA RIBEIRO 12:31 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Outubro 17, 2005 ::
Ai se sesse...
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse qui São Pêdo não abrisse as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse e se tu insistisse, prá qui eu me arrezorvesse e a minha faca puxasse, e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
Zé da Luz
:: ISABELA RIBEIRO 1:42 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Outubro 04, 2005 ::
Queria ter beijado mais, que falta que ele me faz...
E pensar que uns dias atrás eu só queria ter ficado em paz...
Queria ter beijado mais, e deixar a saudade pra trás...
Devia ter beijado mais.
:: ISABELA RIBEIRO 10:57 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Setembro 20, 2005 ::
Às vezes só parece não ser de lugar nenhum, nada faz sentido, nada a deixa a vontade. Parece que suas viagens são únicas e nunca tão difíceis de ser explicada. Ela se sente muito só e aquele poema nunca fez tanto sentido "solitário andar por entre a gente". Quando fala parece que todos precisam olhar as horas, atender o celular ou simplesmente ver se vai chover. Nessa hora ela se sente uma menininha emo, que sofre muito com a não aceitação dos outros, ela sofre, às vezes até chora trancada em seu quarto ouvindo Smashing Pumpkins... Mas que bom que de repente folheando sua agenda ela vê umas bolinhas vermelhas cobrindo algumas datas no calendário, "-ufa" ela se lembra... São só os hormônios avisando que está tudo certo.
:: ISABELA RIBEIRO 7:43 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Agosto 29, 2005 ::
Mais um buraco na parede. Ela vai ceder, eu sinto. Ainda assim encosto nela com todas as forças, para a suportar. Parece firme por instantes, mas os buracos já são imensos e profundos. Sem parede estarei perdida, será o fim de tudo!
A sua fina areia escorre nas minhas mãos. Uma ampulheta de carne viva para a contagem final da grande queda. E quando cair, não vai haver nada. Apenas um mundo novo inteiro por descobrir... Um mundo mental só meu, onde eu própria não existirei, mas ao mesmo tempo poderei ser o que quiser...
:: ISABELA RIBEIRO 10:40 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Julho 27, 2005 ::
Eu que sempre escrevi sobre saudade, só agora pude ter certeza que de certo morrerei de solidão um dia. Pelo simples fato de não saber conviver... Em qualquer outro lugar devem chamar isso de ignorância.
:: ISABELA RIBEIRO 9:00 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Julho 01, 2005 ::
A chuva voltou, vou sentir o cheiro gostoso da terra úmida de novo. Os céus cinzentos inspiram meus pensamentos mais profundos. O som dos pingos de água que batem violentamente no telhado gritando sua beleza no silêncio da noite. Já tava cansada do céu radiando uma alegria ilusória, as vezes é bom... Mas não desperta as mesmas sensações como o céu de tempestade. Começou a contagem e a estação da decadência, da ilusão, da nostalgia... É chegada a hora da grande queda dos anjos... O verão se vai muito rápido.
:: ISABELA RIBEIRO 3:34 PM [+] ::
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